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  • Eduardo Carlos Pereira

Do lado de casa, a horta

Inúmeras ações são previstas no plano diretor e devem ser colocadas em prática. A justificativa é melhorar a qualidade ambiental e paisagística, mas não basta estarem escritas, é preciso implementar.


Técnicos da prefeitura afirmam que "em terrenos públicos não é possível fazer hortas, porque precisa abrir licitação". Ora, quem precisa e só quer uma horta não irá abrir empresa para usar os terrenos da prefeitura. Vai nos particulares! É muito mais fácil: mantém os lotes em uso, limpos e produzindo. Estoques de lotes particulares podem ter essa vocação.

Na rua Humberto Checchinato, na horta onde um senhor vende sua produção há 15 anos, clientes - invariavelmente - compram tudo que tiver. Isso é uma rotina. Esta horta, no último lote vazio do bairro, mudou de lugar diversas vezes, à medida que os terrenos iam sendo ocupados, ele fazia outra. Este exemplo de resistência é um sinal e alerta para que o plano diretor incentive a produção de hortas urbanas e não se torne a justificativa para que isso não aconteça.


Se o entendimento da lei não é favorável para quem produz, que se corrija urgentemente. Na pandemia, falar dessa forma de trabalho é muito atraente pela segurança que o lugar oferece e da certeza da venda. Cria uma rotina para a produção; é muito saudável para quem faz e para quem consome.


Essas hortas nos bairros não irão concorrer com supermercados, mas mudam toda a cultura de facilitação de compras e da cadeia de produção que vai da horta para o Ceasa, do Ceasa para uma distribuidora central dos supermercados, depois para seus hortifrutis e, finalmente, para a geladeira do consumidor. Sem autoestradas, sem congestionamento, sem refrigeração, sem carros, nem caminhões: plantar, colher e vender. Comprar fresquinho o que tiver pronto para levar.


Andando pelos bairros, o que se pode ver é um embelezamento das casas pelas plantas e temperos expostos nos jardins de suas frentes. Nos dá uma amostra dessa vocação e interesse que a pandemia potencializou.


Se, em vez de editais para oferecerem lugares públicos, as prefeituras oferecerem assistência técnica para quem quer fazer horta, seria muito mais promissor... se romperia a burocracia. Qualquer startup faz esse "meio de campo".


Vereadores em seus bairros podem incentivar isso em projetos de leis, promovendo áreas públicas que precisam ser cuidadas e usadas. Há 120 anos a Colônia produzia toda a verdura consumida na cidade; era entregue em carroças. Essa vocação permanece ainda hoje em duas grandes hortas exemplares, agora é necessário desdobrar, incentivar mais e criar mais empregos.

imagem: feira no espaço adoniran barbosa em Valinhos

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